sexta-feira, 16 de julho de 2010
Conversa amiga
Eu devia ter acordado ontem quando o texto veio inteiro a mente. Estava pronto. Era só escrever, mas eu preferi dormir. Preferi terminar o dia sorrindo, lembrando da conversa jogada fora, das sugestões de como ficar melhor, da sinceridade absoluta, da cerveja gelada no dia mais frio ainda. Fazia tempo que não conversava com uma amiga. Atualmente é jogar conversa fora. Ontem jogamos conversa dentro. Ela, a conversa, mesmo as coisas pequenas, tiveram um propósito, nada foi em vão, tudo saiu do raso e ganhou outra perspectiva. Conversa de amiga tem outro significado. Quando você pode falar sem julgamentos e entender que é só uma parte de um sentimento inteiro, não desvaloriza o total que se sente. Eu devia ter acordado ontem e hoje teria dois textos, mas não teria a lembrança exata de como é bom saber que tem a conversa amiga, mesmo quando ela fica distante por muito tempo.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Bar solidão!

Em qualquer lugar, quando menos espero ela parece. Vêm sem pedir licença, muitas vezes sorrateira, mas quase sempre avassaladora. Não dá chance pra me prevenir e não escolhe nenhum lugar. Não escolhe definição e motivo prévio. Qualquer oportunidade ela agarra pra se aconchegar. Fica horas, dias, meses, como visita indesejada que não quer ir embora nem com vassoura atrás da porta. Ela é sínica e tranparente. Me deixa ver e entender todas suas razões, mas não deixa uma brecha pra eu solucionar. Talvez seja apenas translúcida, e essa transparência é um sopro de ilusão para se agarrar. Muito inteligente ela faz caminhos antes não visitados e para escapar dela é bom ser gênio em labirinto. Mas me pegar aqui, enquanto a música toca, a moça me olha, o casal se beija, o garoto tenta, as luzes estão baixas, e a intenção nem é minha? No bar? No bar não! Me deixa! Espera chegar em casa de meia com chinelos. Adia um pouco essa visita. Eu juro que é só o tempo de chegar em casa, lá você pode morar, mas aqui me deixa viver um pouco e rir da felicidade alheia.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Tempos de amor líquido.
Em tempos de amor líquido, como esperar que sejam sólidas as promessas rotineiras? Palavra não significa mais compromisso assumido, é somente um monte de letras amontuadas que dão significados dúbios sujeitos a interpretações diversas. O ser livre é levado as últimas consequências e torna todas as relações líquidas. Elas podem escorrer do copo a qualquer momento, e na maioria das vez não entra boca a dentro satisfazendo a sede, é derrama no chão infértil de concreto duro. Não serve mais pra nada, vai evaporar com o calor e dissipar no meio de outras relações derramadas. Em tempos de amor líquido, sólido vale mais que ouro e é tão valorizado que acaba se perdendo no poder da escolha e torna-se líquido também.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Conforto e paz!
A diferença é uma quadra pra direita e uma pra esquerda. Da paz eu enxergo dentro do conforto, e do conforto eu enxergo a paz. Mas o conforto não tem paz. No conforto tem gritaria, tem batuque, tem bêbados ao longe no fim da noite, jogos sentados até o amanhecer, problemas sérios, problemas inventados, ruído da rotina, ruído de buzina, muito carro e moto pra perturbar. Na paz o conforto também parece paz, o jogo sentado parece intelectual, o bêbado parece um incomprendido a passear, não existe problemas e o barulho é só do mar. Nada saiu do lugar, tudo continua igual, do jeitinho que estava no conforto, mas a perspectiva é outra. Na paz tudo é paz, mesmo o que não se encontra nela. Que pena que a luz acaba no fim do dia e o conforto se faz necessário para enxergar a paz do outro lado da quadra.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
!!!
O que nos leva escolher um e não o outro? O que nos leva dizer sim e não? O que nos leva fazer coisas com arrependimentos instantâneos? O que nos leva a priorizar uma escolha e não a outra? O que nos leva fazer e não fazer? O que nos leva parar e seguir? Eu não sei a resposta pra nada. Sei que as vezes queria um e não o outro, queria não e sim pra depois, queria não ter arrependimento, mas não é assim. Então sigo fazendo certo e errado e torcendo e aprendendo pra errar menos.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Gangorra
O que me cansa é não conseguir mudar de brinquedo no parquinho. Essa gangorra já machucou meus joelhos cansados, meu deu náuseas e agora bateu uma tontura terrível, mas quando eu chego no chão não consigo descer, o outro lado já me puxa pra cima. Aos olhos dos outros eu me passo por fraca e sem garra pra colocar os pés no chão e pular para fora da gangorra. Eles acham que eu não percebo os olhares de desaprovação, mas ninguém conhece o peso que está do outro lado da gangorra, por enquanto, ele ainda é mais forte do que eu. Treino todo dia para conseguir ficar mais inteligente e vencer a força do outro lado. Enquanto isso, tem dias que eu aproveito o vento lá em cima, e as vezes torço para ter mais 2 segundos embaixo para conseguir saltar.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Larga o telefone
Não é ser cafajeste, mas me deixa sentir saudades, esquece meu telefone uma semana e me surpreende. Quem sabe assim eu goste de verdade, e queira você todo dia ao meu lado. O começo é complicado, não é pra fazer jogo, mas controla a ansiedade, ela diz muito de você, ela diz de uma parte que não me interessa, quero alguém de alma tranquila, de rosto sereno, de sorriso aberto e de telefone esquecido. Quero ter saudades pra achar que só tem parte boa, mas você ligando a toda hora me mostra só o que eu não gosto. Larga esse telefone em casa e me deixa esperando uma ligação, liga na hora certa e aí eu juro que o travesseiro é seu.
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